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Eu a dei o melhor de mim, e depois que ela foi embora, nada jamais voltou a ser o mesmo.
Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo.
Como as águas de um rio qualquer que flui, moldei-me às pedras, ignorei obstáculos. Adaptei-me à margens estreitas, desaguei, simplesmente fui. Hoje, sou como as águas do mar. Revelo minha alegria num constante vai e vem, compartilho do sal porque me fora dado muito, todavia, reservo meus mistérios aos que me convém. Eu me esquivo, rolo, quebro na praia, beijo as areias quando quero. E nesse quebrar sei ser bonito e não ser o que eu mesmo espero. Retorno à mansidão, essa sim é uma conquista. Hoje eu tenho uma direção, não me preocupa se há ou não terra à vista. Tornando a desejar, eu me permitirei outro beijo. Agora, por causa da fé dou-me a qualquer ensejo tenha ele o tamanho que tiver. Ainda que não saiba muito bem o que está por vir, conto com as profecias de um tempo que anuncia através de certos sinais, se serão noites ou dias, se enfrentarei tempestades ou viverei a calmaria, o renovo do verde, a chegada da paz. O desafio é manter-me límpido para a linha perene que eu não tracei. Virão inevitavelmente as tormentas e haverá abismos cá por dentro, feras devoradoras de sonhos, marujos exploradores que se julgam superiores ao tempo. Austero serei. No mais profundo dessas águas que fluem de mim, há poder. Estando à esmo, haverá certeza de que hei de traspassar, transcender. Bem como o sublime não se faz bonito, assim o céu encontra os espelhos meus. Se hoje meu risco é o infinito, o esplendor das minhas águas é reflexo da glória de Deus.
As coisas não são do mesmo jeito que eram antes. Você nem ia me reconhecer mais. Não que você me conhecesse há uns tempos atrás, mas tudo volta no fim. Eu guardei tudo dentro de mim e embora eu tenha tentado, tudo desmoronou. O que isso significou pra mim será eventualmente uma lembrança. Eu tentei tanto e cheguei tão longe, mas no fim, isso não tem mais importância.
E repetia em você baixa “te amo tanto”. Sussurrava sem fala “te amo de verdade” e gritava para muitos “te amo pra sempre”. E mesmo que eu insista, você nunca vai me ouvir.
Você sabe que ele não presta, não como eu prestava. Pode até dar pro gasto, pra acalmar um pouco da carência que a tua alma anseia ou para servir de curativo pras tuas feridas. Mas ele não presta. Ele te faz sorrir, mas não gargalhar. Ele te alegra, mas não te faz doer a barriga de tanto rir. Ele te dá forças, mas não te revigora. Não estou aqui para julgar o que ele te causa ou o que acrescenta no teu dia. Na verdade, eu quero que você seja feliz. Mas não consigo te ver tão feliz assim, não depois de ver como nós eramos. Não que ele seja ruim, mas no fundo, no cantinho abandonado das tuas lembranças, você se lembra muito bem que o teu sorriso ao meu lado causava inveja nas outras pessoas. Que tinha um brilho de felicidade pura. E que o teu olhar revelava o amor pra vida toda. Então, nada contra o que a vida nos reservou ou os caminhos que trilhamos. Nada contra as tuas escolhas e as consequências delas. Nada contra quem te faz feliz e o que esta pessoa significa para você. Nada contra a tua nova vida, meu amor, nada mesmo. Mas deixa eu te sussurrar uma última coisa no teu ouvido? Ela seria melhor de mãos dadas com a minha.
Você salvou a minha vida tantas vezes, de várias maneiras. Quando contou aquela piada idiota e me fez sorrir no momento em que mais precisava. Quando todos não enxergavam a minha dor e tu foi a única pessoa que percebeu e me animou. Quando mesmo eu estando errado, foi contra tudo e todos e ficou do meu lado. Quando eu sentia que ninguém se importava comigo e tu foi lá e disse “Não sai, fica mais um pouquinho”. Quando o desanimo dominou meu coração, tu disse as palavras certas, capazes de fazer eu querer viver dentro de você.
Quando ela partiu, uma parte de mim queria deixa-la ir e a outra queria segui-la insanamente. Até hoje perguntam por mim, e as pessoas apenas dizem: “Foi atrás da felicidade”. A felicidade no caso, era ela.
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.
Ela o amava, ele a amava também. E ainda que essa coisa, o amor, fosse complicada demais para compreender e detalhar nas maneiras tortuosas como acontece, naquele momento em que acontecia dentro do sonho, era simples. Boa, fácil, assim era. Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela. Isso era tudo.
Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão. E que faça as pazes rapidamente, porque paz faz parte do amor. Quero ser lembrado em horários malucos, todos os horários, para sempre.
Adoro o sorriso dela, os cabelos dela, o jeito que às vezes lambe os lábios antes de falar. Adoro o som da risada, a aparência quando dorme e a forma que me faz pensar. Adoro o jeito que ela faz eu me sentir, como se tudo fosse possível, como se a vida valesse a pena.
Queria ir pra casa, mas não pra minha casa, pra sua casa. E eu queria ir pra ficar. Eu sinto que meu lugar é com você. E eu não me encontro em mais nenhum outro lugar ao não ser do seu lado, mesmo que a rotina tome conta de nós. Mas que seja eu e você, todos os dias.
Tem sempre uma música, uma música que te faz lembrar a noite, a madrugada, um momento a sós com uma pessoa específica, sim um momento a sós. Aquela que lhe causa uma nostálgia incrível, aquela que faz as borboletas no seu estômago levantarem voo, aquela que mexe com a sua cabeça e lhe trás de volta momentos em que você nunca pensou em reviver, momentos que te marcaram e que pra você não existiu melhor. Aquela que te envolve imagináriamente nos braços do seu amado(a). Tem sempre uma música, uma canção que toca bem lá no fundo, a verdadeira trilha sonora da sua vida.
Hoje acordei sem chão e percebi que nunca tive casa. Não uma moradia, e sim um sustento. Já tive base, mas nunca tive proteção. O que é engraçado, pois tenho milhões de motivos para sorrir, mas uma simples telha fora do lugar consegue fazer com que uma tempestade me molhe por inteiro, se é que me entende. Pequenas coisas fora do lugar fazem estragos enormes em mim, e eu não me acostumo com isso — muito menos entendo se é pra me ajudar, ou se eu realmente não fui feito para viver.